quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

"I'm Nobody! Who are You?"


I'm nobody! Who are you?
Are you nobody, too?
Then there's a pair of us -don't tell!
They'd banish us, you know.

How dreary to be somebody!
How public, like a frog
To tell your name the livelong day
To an admiring bog!



Emily Dickinson




La petite marchande d'allumettes (1928), J. Renoir

domingo, 1 de fevereiro de 2015

stuff


é quando estou de partida, que percebo a minha identidade a dividir-se, como se deixasse as mãos agarradas aos objectos dos últimos dias, ou trouxesse no olfacto a naftalina do guarda-roupa onde ainda existem os vestidos com rendinhas e laços. fico desnorteada na estrada que se vislumbra, a estrada que me levará de volta ao lugar onde os objectos/coisas ainda não são memorabilia, mas instrumentos de construção pessoal. a casa, esse imóvel teórico, é outra história. agora só penso nos objectos - sinto que sem eles não consigo ser sujeito.


[e não sou materialista.] 


(Fanny e Alexander, Ingmar Bergman)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

drifting clouds


“I can wash dishes.”

e posso também fazer a comida.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

self-portrait


                                                                         Shadow of a Doubt (1943), A. Hitchcock


Tu és a [tua] própria tarefa. 
(«Aforismos», Kafka)








quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

l'avenir

«Pour ce qui est de l'avenir, il ne s'agit pas de le prévoir mais de le rendre possible.»
Antoine de Saint-Exupéry






Les amants du Pont Neuf, Leos Carax (1991)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

"Trevas, oh! Trevas"

termino o ano com um excerto sobre a morte “imaginária” de Guy de Maupassant, que me trouxe à memória The Call of the Wild, o filme de William Wellman baseado no livro de Jack London (cuja leitura ainda está por concretizar). talvez não haja melhor maneira de celebrar a vida, os anos que passam, do que esta de convocar o seu oposto, ainda para mais se o oposto se camuflar num uivo selvagem, num grito das trevas para encontrar uma nova luz:

uma boa Luz, é o que desejo a todos para 2015.

«No dia 6 de Julho de 1893, após anos de injecções de Pravaz, Guy de Maupassant morre de gatas, ladrando e salivando, face a uma parede que estava a lamber. Tinha quase quarenta e três anos. As suas últimas palavras terão sido: “Trevas, oh! Trevas”. Pouco antes, tinha afirmado: “Alguns cães que uivam exprimem muito bem o meu estado. É um lamento deplorável que não tem destinatário, que não vai para lado nenhum, que nada diz, e que lança na noite o grito da angústia preso junto ao peito que eu gostaria de poder soltar... Se eu pudesse gemer como eles, iria embora de vez em quando, muitas vezes, para uma grande planície ou para o fundo de um bosque e uivaria assim, durante horas, nas trevas”.»

Mortes imaginárias, Michel Schneider










quarta-feira, 26 de novembro de 2014

boire

[Os leopardos invadem o templo e bebem o conteúdo dos vasos sacrificiais, esvaziando-os (...).]

«Aforismos», Franz Kafka




(Angel, Ernst Lubitsch, Of Human Bondage, John Cromwell, Who's Afraid of Virginia Woolf?, Mike Nichols, The Last Flight, William Dieterle)