
como é fugaz a nossa certeza das coisas. eu não percebo, aliás, como chegamos a ter certezas. apanhamos a certeza como quem apanha uma borboleta e a guarda religiosamente entre as mãos côncavas. ela faz-nos cócegas com as asas, mas não a soltamos porque queremos guardá-la para nós. temos a certeza nas mãos. ela sossega as suas asas e pousa na mão que é a base. a mão que está por cima é levantada cuidadosamente, como um concha que se abre... a certeza continua lá: bela e serena, quase com um vislumbre de eternidade. num repente, a certeza voa.
vejo-a lá ao fundo, sendo apanhada por outras mãos ávidas de...
(fotografia: Sommarlek, Bergman)




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