«Eu escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível. Fixava vertigens.» Rimbaud
segunda-feira, 29 de abril de 2013
o perfume do antigo
«Respirava de sala em sala, difundido como um incenso, este odor a biblioteca antiga, que vale por todos os perfumes do mundo.»
Terra dos Homens, Saint-Exupéry
terça-feira, 23 de abril de 2013
terça-feira, 9 de abril de 2013
domingo, 7 de abril de 2013
voz
quando lês para mim, aumentando, com vagar, o volume das
palavras silenciosas no papel, é como se mais nenhuma voz pudesse cumprir esse momento. ouvir-te é acreditar em todas as deliciosas mentiras que carregas ternamente no
timbre. tenho vontade de invocar o infinito, adormecer no berço tecido em promessas
que trazes pela voz. são tuas essas palavras que lês, não podem ser de mais
ninguém. és o autor. só tu as lês assim, para mim.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
(sem título)
há uma altura em que as nossas razões emocionais se tornam
razões políticas. há uma altura em que a nossa dor individual é, na verdade,
uma dor coletiva. se mal suportamos aquilo que nos fere pessoalmente, como podemos resistir a toda a dor de um país? quais os limites da dor política? somos amados ou rejeitados? o amor social é tão antigo como a necessidade de comer.
quinta-feira, 28 de março de 2013
amor pela literatura
«(...) padecia de amor pela literatura. (...) Era da índole fatal desta doença substituir a realidade por um fantasma, de forma que Orlando, a quem a fortuna concedera todos os dons - pratas, roupa de cama e mesa, casas, criados, tapetes, camas em abundância - dissipava em névoa, com o simples gesto de abrir um livro, toda esta imensa acumulação. os nove acres de pedra que eram a sua casa desapareciam; desapareciam os cento e cinquenta criados de dentro; os seus oitenta cavalos de sela tornavam-se invisíveis; e levaríamos demasiado tempo a contar os tapetes, sofás, adornos, porcelanas, salvas, galhetas, rescaldeiros e outros bens móveis, muitos dos quais de ouro lavrado, que se evaporavam como um sopro de brisa marinha ao contacto com o miasma. Assim acontecia, e Orlando, sentado sozinho a ler, era um homem nu.»
Orlando, Virgínia Woolf
domingo, 17 de março de 2013
Le ballon rouge
quero um balão vermelho e viajar para o sul da imaginação, onde as ideias são mais quentes e há uma beira-mar de possibilidades.
imagens: Le ballon rouge, Lamorisse (1956)
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